It: Bem Vindos a Derry - Crítica
Qualidade HBO com o terror da obra de Stephen King. Fórmula excelente para uma ótima série.
TELA - RECOMENDO
12/30/20254 min read


IT: BEM-VINDOS A DERRY – CRÍTICA
Bem-vindo a Derry é uma série que acerta ao entender que o verdadeiro legado de It – A Coisa não está apenas em Pennywise, mas na própria cidade. Ao invés de repetir a estrutura dos filmes, a produção expande o universo criado por Stephen King com maturidade, tratando Derry como uma entidade viva, corrupta e cúmplice do mal que retorna ciclicamente. O resultado é uma obra atmosférica, inquietante e surpreendentemente densa.
Resumo Geral da Série
Ambientada décadas antes dos eventos centrais de It, a série acompanha diferentes núcleos — crianças, famílias, militares e autoridades — durante um novo ciclo de violência em Derry. Aos poucos, padrões históricos de desaparecimentos, silêncios e tragédias vêm à tona, deixando claro que a cidade convive há gerações com algo que prefere não nomear.
Pennywise (Bill Skarsgård) surge de forma pontual, mas decisiva, funcionando mais como catalisador do medo do que como vilão constante. A série entende que o terror mais eficaz não está na exposição excessiva da criatura, mas na forma como sua presença influencia comportamentos, escolhas e omissões humanas.
O Horror de Derry
O grande mérito da série é mostrar que Derry já está quebrada antes do sobrenatural se manifestar. Racismo, autoritarismo, violência doméstica, corrupção policial e negação institucional fazem parte do cotidiano. Pennywise não cria esse cenário — ele se alimenta dele.
A cidade é retratada como um organismo doente, onde o mal prospera porque é tolerado. O horror, portanto, não vem apenas do que se esconde nos esgotos, mas do que acontece à luz do dia.
Personagens e Atuações
A força de Bem-vindo a Derry está na construção de personagens organizados em núcleos bem definidos, todos impactados pelo mesmo ciclo de violência.
As Crianças – o coração da narrativa
O centro emocional da série está nas crianças: Marge Truman (Matilda Lawler), Lillian “Lilly” Bainbridge (Clara Stack), Veronica “Ronnie” Grogan (Amanda Christine), Will Hanlon (Blake Cameron James) e Ricardo “Rich” Santos (Arian S. Cartaya). Cada uma representa uma resposta diferente ao medo, à exclusão e à perda da inocência.
Lilly, marcada pela morte do pai e pela ausência da mãe, é uma das figuras mais complexas emocionalmente. Will, entusiasta da ciência e deslocado socialmente, reforça a dificuldade de adaptação à cidade — e seu futuro como pai de Mike Hanlon conecta diretamente a série aos filmes. Rich, garoto cubano-estadunidense, adiciona sensibilidade e identidade ao grupo, enquanto Marge e Ronnie lidam com pertencimento, amizade e insegurança social.
O elenco mirim impressiona pela naturalidade. O medo é construído por silêncios, olhares e reações contidas, sustentando o terror psicológico da série.
A Família Hanlon – autoridade e conflito moral
O núcleo familiar de Will é central para a crítica social da série. Leroy Hanlon (Jovan Adepo) é um Major da Força Aérea dos EUA, dividido entre o dever institucional e a proteção da família. Um Leroy mais velho foi interpretado por Steven Williams em It (2017), reforçando a continuidade do universo.
Sua esposa, Charlotte Hanlon (Taylour Paige), é uma mulher guiada por princípios morais fortes, constantemente em conflito com o silêncio e a conveniência de Derry. Charlotte representa a luta individual por fazer o que é certo em um ambiente que pune quem questiona.
O Núcleo Militar – poder acima da empatia
O lado institucional é representado por Francis Shaw (James Remar), um general obcecado pela busca de uma “arma” capaz de encerrar a Guerra Fria. Shaw simboliza o poder disposto a negociar com o horror em nome de objetivos maiores. Sua versão jovem, em 1908, é interpretada por Diesel La Torraca, reforçando a ideia de um mal que atravessa gerações.
Ao redor dele, Coronel Fuller (Thomas Mitchell) e Dick Hallorann (Chris Chalk) ampliam a complexidade do núcleo. Hallorann, aviador com habilidades telepáticas e clarividentes, conecta a série diretamente ao universo de Stephen King — um Hallorann mais velho foi interpretado por Scatman Crothers (O Iluminado, 1980) e Carl Lumbly (Doutor Sono, 2019).
Outros Núcleos Importantes
Hank Grogan (Stephen Rider), pai de Ronnie e projecionista do cinema local, representa o adulto comum tentando manter normalidade em meio ao caos. Por tratar-se de um homem negro, e com acesso a crianças, é injustiçado, levando a culpa inicialmente pelos males que o mau instaurado na cidade causa.
Clint Bowers (Peter Outerbridge), o chefe de polícia corrupto, personifica a falência moral e institucional de Derry.
Já o núcleo indígena, formado por Rose (Kimberly Guerrero) e Taniel (Joshua Odjick), adiciona profundidade histórica e espiritual, conectando o mal de Derry a uma herança muito mais antiga do que se imagina.
Ingrid Kersh / Periwinkle
Ingrid Kersh (Madeleine Stowe), governanta-chefe do Asilo Juniper Hill e filha de Bob Gray, funciona como elo entre diferentes períodos históricos do horror. A personagem também é interpretada por Tyner Rushing (1935), Emma-Leigh Cullum (1908) e Joan Gregson (1988), reprisando seu papel de It – Capítulo Dois (2019), em sua última atuação antes de falecer em 2025.
Pennywise
Mesmo com tempo de tela controlado, Pennywise (Bill Skarsgård) domina a série. Skarsgård também interpreta Bob Gray, a forma humana original de 1908, reforçando a origem histórica do mal. Aqui, Pennywise é menos espetáculo e mais ameaça latente — uma presença que contamina tudo ao redor.
Veredito
Bem-vindo a Derry é uma expansão inteligente e madura do universo It. Ao priorizar atmosfera, personagens e crítica social, a série entrega um terror que incomoda mais pelo que revela sobre a natureza humana do que pelos sustos em si. Uma série densa, bem escrita e corajosa, que entende que o verdadeiro horror não vive apenas nos esgotos — ele vive nas estruturas, nas omissões e nos ciclos que ninguém quer quebrar. Diz-se que usou do sucesso Stranger Things para criar uma equipe de crianças enfrentando um mau que assola a cidade. Se é por isso, realmente lembra muito. Mas aqui é mais terror. Igualmente bem feita. Mas no caso de Derry, com selo de qualidade HBO. Podem olhar que é ótima.
Nota final: 8,5/10 - Ótima
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